
Noticiário - Seleção Diária de Notícias Nacionais - 13/12/2007
Folha de S. Paulo
Assunto: Dinheiro
Título: 1z Crise Venezuela-Colômbia pode favorecer o Brasil
Data: 13/12/2007
Crédito: Fabiano Maisonnave
Chávez ameaça romper relação comercial com vizinho e comprar produtos brasileiros
Missão de 207 empresários acompanha Lula em visita a Caracas; exportações brasileiras ao país de Chávez cresceram 30% em 2007
Fabiano Maisonnave
De Caracas
As recentes ameaças do presidente Hugo Chávez de paralisar as bilionárias relações comerciais com a Colômbia em favor do Brasil são o pano de fundo que está animando a maior comitiva empresarial do país em visita à Venezuela. O evento, que começou ontem em Caracas, termina hoje com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
"As relações comerciais entre o Brasil e a Venezuela estão em seu melhor momento, com perspectiva de melhorias nos próximos anos", afirma José Francisco Marcondes Neto, presidente da Câmara Venezuelana-Brasileira de Comércio e Indústria.
"Estamos muito preocupados, definitivamente há um alarme. Queria que você fosse um veículo para que nos ajude, Venezuela e Colômbia, à integração. Temos de evitar a diplomacia de microfones, temos de ir fazer com que nossos presidentes se reúnam e conversem", disse Daniel Montealegre presidente da Câmara Venezuela-Colômbia ao correspondente da Folha.
Embora ainda não tenha tomado nenhuma medida, nos últimos dias Chávez disse três vezes que deixará de ter relações com a Colômbia -que devem fechar o ano em US$ 7 bilhões, segundo o governo venezuelano- e favorecer o Brasil.
"Essa relação comercial que tanto nos custou levantar (...), estou seguro de que vai ser prejudicada, porque eu, em vez de comprar na Colômbia tantas e quantas coisas, bom, vou para o Brasil", disse Chávez anteontem, em Buenos Aires.
A disputa entre Caracas e Bogotá tem sido um dos assuntos principais nos corredores do encontro iniciado ontem, que trouxe a Caracas 207 empresários brasileiros -a expectativa inicial era de 150. Antes, o maior encontro, em 2003, havia reunido 135 empresários.
Caso a ameaça se concretize, a substituição deve envolver sobretudo o setor de alimentos. Por causa da forte presença estatal no setor, o governo é um grande comprador na Colômbia de produtos como carne, frango e ovos, comercializados nas redes de supermercado estatais, responsáveis pelo abastecimento de 40% do consumo alimentício interno.
Outra "arma" do governo é a sua rígida política cambial, em que o Estado é o único vendedor de dólares subsidiados. Empresários nos dois países temem que Chávez restrinja o acesso a divisas para operações com a Colômbia. A solução seria buscar o mercado negro do dólar, com uma diferença de mais de 160% ante o oficial.
A crise teve origem no mês passado, quando o presidente Álvaro Uribe encerrou de forma abrupta a mediação de Chávez nas negociações com as Farc para a libertação de 45 reféns. Anteontem, o venezuelano disse que, "enquanto viver", não conversará com o seu homólogo colombiano.
Cerca de 70% do comércio bilateral é composto pelas exportações colombianas. A Venezuela é o segundo parceiro comercial da Colômbia. As vendas brasileiras para Caracas também aumentaram neste ano -30,2% até novembro em comparação a 2006, o equivalente a US$ 3,2 bilhões.