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Noticiário - Seleção Diária de Notícias Internacionais - 02/07/2008

Japão - Yomiuri Shimbun

Título: Países emergentes também devem estabelecer metas
Data: 02/07/2008

Por Isaku Kodera, do Rio de Janeiro

O Presidente Lula da Silva, do Brasil, concedeu entrevista exclusiva ao Jornal Yomiuri no dia 30, em São Paulo. Em relação ao estabelecimento do quadro "Pós-Protocolo de Quioto", que será um dos principais tópicos da Reunião de Cúpula de Toyako, Hokkaido, comentou que "todos os países participantes, inclusive o nosso país, devem estabelecer suas metas de redução, de acordo com suas quantidades de emissão de gases causadores do efeito estufa", e expressou opinião positiva sobre metas numéricas. O Brasil, até agora, era contra o estabelecimento de metas numéricas, citando motivos como o "agravamento das disparidades de riqueza com os países industrializados".

Na entrevista, o Presidente não mencionou metas numéricas concretas, e citou como condição para tal "o cumprimento das obrigações do Protocolo de Quioto por parte dos países desenvolvidos".

Ademais, o Presidente mencionou o biocombustível, que este país produz. Sublinhou o seu efeito de redução da emissão de dióxido de carbono (CO2), e apontou a "necessidade de discutir cientificamente sobre suas vantagens e problemas", e expôs a idéia de realizar reunião internacional em novembro convidando os líderes mundiais, pesquisadores, representantes de empresas entre outros.

No tocante ao encarecimento dos alimentos em âmbito mundial, afirmou que "é inadmissível o uso de insumos essenciais à vida do ser humano como objeto de especulação. É necessário discutir a restrição a especulações na Reunião de Cúpula".

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O Presidente Lula da Silva, na entrevista concedida ao Jornal Yomiuri no dia 30, demonstrou postura positiva quanto ao estabelecimento de metas numéricas de redução de gases causadores de efeito estufa do Brasil, porque este país obteve bons resultados na redução de CO2 através do biocombustível, e, com base nestes fatos, tenciona liderar as discussões sobre as medidas contra o aquecimento, exigindo medidas mais efetivas aos países desenvolvidos tais como os EUA.

"Eu não falo sobre o biocombustível pensando somente nos lucros do Brasil", "Penso também em produzir bioetanol na África, Ásia e América Central e do Sul com a cooperação dos países desenvolvidos tais como o Japão e o Reino Unido".

O Presidente Lula apresentou desta forma um grandioso projeto de expandir a produção de bioetanol a vários países do mundo.

O Brasil iniciou em 1974 a produção em massa de bioetanol a partir da cana-de-açúcar, e reduziu até hoje cerca de 640 milhões de toneladas de CO2. O Presidente expressou expectativa especial sobre a produção na África, que possui grande extensão de terreno, e sublinhou que poderá contribuir também às medidas de emprego, desenvolvimento econômico, prevenção de evasão de emigrantes, aquisição de combustível, entre outros dos países pobres.

O Presidente Lula raramente aceita entrevistas mesmo da mídia local, e supõe-se que concedeu entrevista a este jornal no presente momento porque, às vésperas da Reunião da Cúpula de Toyako, Hokkaido, na qual a medida contra o aquecimento global será uma das principais agendas, tenciona salientar a sua voz como representante dos países em desenvolvimento, e, simultaneamente, pressionar o Japão, país anfitrião, para que encoraje os principais países emissores tais como os EUA que são relutantes às medidas contra o aquecimento.

Na entrevista, reiterou a crítica aos países desenvolvidos dizendo que "é inadmissível que os países com maior quantidade de emissão forcem o encargo aos países emergentes e prejudiquem o seu desenvolvimento", e expressou forte expectativa para que o Japão exerça a liderança para a realização de medidas justas contra o aquecimento global.

Porém, quanto à produção de biocombustível, "trunfo" do Presidente Lula, Cuba, país produtor de cana-de-açúcar, critica que afetaria a produção agrícola, e muitos dos países desenvolvidos, preocupados com a influência ao preço dos alimentos, adotam atitude de "esperar para ver". O Japão, que demonstra interesse na importação, também é cauteloso como disse o Ministro da Economia, Comércio e Indústria, Akira Amari: "quero certificar-me da estabilidade do preço e do suprimento".

O Presidente Lula demonstrou gesto decisivo e disse: "espero que entendam como um desafio que nós lançamos ao mundo", porém, é incerto se conseguirá resultar em uma discussão séria envolvendo os países desenvolvidos e em desenvolvimento.

- REDUÇÃO DA EMISSÃO DE GASES CAUSADORES DO EFEITO ESTUFA

Todos os países participantes, inclusive o nosso país, devem estabelecer suas metas de redução de acordo com a quantidade de emissão de cada país. É inadmissível que os países com maior quantidade de emissão forcem o encargo aos países emergentes e prejudiquem o seu desenvolvimento. A meta a longo prazo do Japão, de reduzir em 60 a 80% em relação ao nível atual até 2050 é bastante viável. Espero que o Japão exerça a liderança para que não haja injustiça tais como o impedimento do desenvolvimento dos países em desenvolvimento.

- BIOCOMBUSTÍVEL

Desde a década de 1970, o nosso país conseguiu reduzir a emissão de dióxido de carbono (CO2) em 640 milhões de toneladas através da produção de bioetanol a partir da cana-de-açúcar. A idéia de que a produção de biocombustível causa o encarecimento do preço dos alimentos é inaceitável. É necessário realizar discussões científicas e racionais.

- INFLUÊNCIA DE FUNDOS ESPECULATIVOS

É inadmissível esta situação em que os pobres são obrigados a pagar o preço das especulações de alimentos e petróleo bruto. A especulação deve ser feita em áreas não relacionadas a insumos essenciais à vida do ser humano. É necessário discutir na Reunião da Cúpula sobre a restrição à especulação.

- RELACIONAMENTO COM O JAPÃO

Este ano marca o centenário da imigração japonesa ao Brasil. 1,5 milhão de japoneses e seus descendentes vivem no Brasil. Muitos dos brasileiros sentem familiaridade com os japoneses, e gostaria de aproveitar esta oportunidade para intensificar ainda mais a relação bilateral.

--versão em português--livre tradução